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Croácia entrou oficialmente nesta segunda-feira na União Europeia,
apontando o caminho para os demais líderes dos Bálcãs reunidos em
Zagreb, mas este momento histórico foi ofuscado pela crise econômica e o
pouco entusiamo por esta nova adesão.
Os chefes de Estado de oito nações dos Bálcãs se reuniram nesta manhã
para parabenizar o feito e "mostrar à UE que existe vontade política
para resolver as questões em aberto" entre os países desta região
atingida por guerras após a dissolução da ex-Iugoslávia nos anos 1990.
A imprensa croata reagiu com entusiamo, mas sem exageros.
"Bom-dia cidadãos da UE", era a manchete do Jutarnji List, enquanto o
influente Vernji List afirmava: "Um sonho que se tornou realidade".
Mas na Alemanha, o Süddeutsche Zeitung mandava um recado à Croácia: "Despreparada para entrar na UE, uma alegria contida".
"A próxima criança-problema a entrar na UE", destacou o Die Welt
sobre este país burocrata que tem dificuldades para atrair investidores.
Em seu primeiro dia como Estado-membro, a Croácia recebeu os
presidentes da Eslovênia, Sérvia, Bósnia, Macedônia, Montenegro e também
do Kosovo, que proclamou sua independência da Sérvia em 2008, assim
como a Albânia.
"Nosso grupo deseja ajudar a resolver questões em aberto" nesta
região, onde as relações são marcadas por conflitos que se seguiram à
dissolução sangrenta da federação comunista iugoslava, declarou o
presidente croata Ivo Josipovic após a reunião.
Segundo ele, esta é uma iniciativa conjunta com a Eslovênia, primeira ex-república iugoslava a integrar a UE (2004).
Com a abertura para a Sérvia das negociações de adesão e a permissão
ao Kosovo para a conclusão de um acordo de estabilização e associação,
primeira etapa de um longo caminho em direção à UE, o prosseguimento do
processo de ampliação nos Bálcãs parece assegurado, mas em Bruxelas os
analistas afirmam que o processo pode ser mais longo e com mais
prudência.
Em Belgrado, o presidente da UE, Herman Van Rompuy, elogiou os esforços da Sérvia e do Kosovo a fim de normalizar suas relações.
"Estou confiante que todos os países dos Bálcãs (...) vão deixar de
lado as divisões para se concentrar em interesses, valores e objetivos
comuns", declarou à imprensa, após se reunir com o chefe de Governo
sérvio, Ivica Dacic.
Entre os países dos Bálcãs, Montenegro abriu em junho passado as
negociações de adesão à UE, enquanto os outros avançaram em vários
estágios no processo de aproximação.
A adesão croata a partir de 00H00 local (domingo 19H00 no horário de
Brasília) à UE, primeiro país a integrar o bloco europeu desde a entrada
em 2007 da Romênia e da Bulgária, foi vivida como um momento histórico,
mas as comemorações foram abafadas pelas dificuldades econômicas.
"Não deixaremos que a nuvem negra da crise econômica assombre o nosso
otimismo. A crise em um desafio, um convite a fazer do amanhã um dia
melhor do que hoje", lançou o presidente croata a seus compatriotas.
A Croácia está em recessão desde 2009 e o desemprego atinge 20% dos cerca de 4,2 milhões de habitantes.
Na Croácia, o PIB é 39% abaixo da média europeia. Apenas Romênia e
Bulgária ficam atrás de Zagreb, segundo o centro de estatísticas da UE.
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